quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

A terra da rainha imortal: Capítulo 10 - A portadora dos sonhos

Arthur sonhava com o tempo, e com os dias iguais. O que outros viam como paz, ele enxergava como uma fria realidade. Inquieto, tinha a impressão de estar voando sobre a capital, acima do castelo da rainha, no exato momento em que viu a movimentação originada pelo assassinato brutal daquele homem, no beco próximo à “casa de Berelith”. Ele se enxergou no meio da multidão. Observou-se com cuidado, e lembrou-se do pensamento que surgiu em sua cabeça quando leu a mensagem marcada com sangue na parede. Sabia que aquelas palavras se referiam a Archibald Wellnam, pois os dizeres mencionavam um cavaleiro negro de armadura branca, que espalhava mensagens cheias de nada. Em sua opinião, o cavaleiro tinha segredos. Lembrou-se da conversa que bisbilhotou quando criança, e do medo que sentiu quando o mascarado ameaçou o seu pai.

 

Ele se distraiu tanto com esses pensamentos que não percebeu que não mais voava, e tampouco estava perto do castelo. Viu-se sentado em uma cadeira, dentro de um quarto iluminado somente por algumas velas. Estava sentado defronte a uma escrivaninha com papeis empilhados. Confuso, olhou ao seu redor, e viu uma cama na parede oposta a da mesa próxima a ele. Uma senhora, com um grande vestido branco, estava sentada na cama, com as pernas esticadas, e costas repousando na cabeceira. Mesmo sem ver seus olhos, Arthur sentia o pesado olhar da mulher, que exibia um sorriso de canto de boca.

 

Ele se levantou e tentou se aproximar da cama a fim de ver o rosto da senhora, mas esta levantou um dos seus braços que repousavam nas suas pernas, e apontou a palma da mão para Arthur, enquanto o risinho esvaia-se. Ele estava paralisado. A senhora disse:

 

- Você, garoto, deve ser o único ser sem fé em todo o reinado, e, ironicamente, essa peculiar característica deve lhe ser extremamente útil, já que esteve certo todo o tempo. Sua alma é rara, e ao mesmo tempo é um sinal de que conseguirá suceder onde alguns falharam de forma retumbante. Seu vinculo é fraco, e essa é a sua arma. Use-a sem limitações. Agora desperte!

 

Arthur acordou assustado quando o sol nascia. Havia dormido satisfatoriamente, levando em conta os acontecimentos incomuns da noite passada. Ele foi salvo por uma criatura que se autodenominava “meio-dragão”, cujo nome era Helphelar. Por sua causa, um dos grandes oficiais da guarda estava morto, e sabia que esse fato iria reverberar em muito pouco tempo. Levantou-se, tomou um banho, vestiu sua leve armadura de couro, embainhou suas espadas e deixou a sua casa. Tinha negócios a tratar com o seu mais novo e inusitado amigo.

 

Saiu da sua casa e seguiu, a cavalo, em direção à Estalagem dos Nobres, uma das mais caras da cidade, para encontrar com a besta que salvou a sua vida. No caminho tentou imaginar o porquê de Helphelar querer o ajudar. Ainda não confiava nele, embora fosse obrigado a depender do monstro por causa do assassinato que fora cúmplice. Sabia também que, de alguma forma, a criatura não queria se mostrar para o mundo. Chegando ao estabelecimento, cumprimentou a bonita recepcionista, que o conhecia, e perguntou cordialmente por Norian, alegando o desejo de interrogá-lo por ser testemunha de um pequeno caso de roubo nas proximidades. Arthur bateu na porta com relativa suavidade, e após um minuto, esta se abriu, revelando um homem desconhecido, que abriu um pequeno sorriso, e disse:

 

- Entre, jovem soldado.

 

Ao entrar no quarto, o capitão com uma bela moça amarrada e amordaçada, jogada na cama. Ela o olhou de forma amedrontada, e pequenas lágrimas começavam a dar as caras. Arthur, sem falar uma palavra, fuzilou Helphelar com um olhar bravo. O “homem” disse friamente:

 

- Ela viu o que aconteceu.

 

O capitão olhou para a jovem e suspirou descontente. Ele tirou as mordaças da mulher, desembainhou uma das suas espadas, causando um momentâneo desespero na prisioneira, e contou as cordas que prendiam os seus pés e mãos. A menina, que tremia e soluçava, agarrou o braço de Arthur, puxando-o para a sua frente, e colocando o capitão entre ela e Helphelar. A moça aos poucos ficava mais calma, e Arthur perguntou:

 

- Qual é o seu nome?

 

- Sam – sua fala foi interrompida por um dos recorrentes soluços – Samara! – Disse a jovem, conseguindo retomar o controle.

 

- Fique calma, não vamos te machucar. Aliás, eu não vou te machucar mais do que você já foi. – Arthur olhou para o homem, que quase gargalhava da situação - Agora me conte sem pressa o que aconteceu desde o início.

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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Download 'Guerra Sem Fim' em PDF

Olá amigos, é a primeira vez que posto aqui, então, antes de partir para o front, vou fazer uma breve apresentação.

Meu nome é Caio Lausi e... e... bom, leia esse post: 'Blogar é uma Arte'.

Vamos ao que interessa...

Publiquei em meu blog, o Blog do Lausi, quatro capítulos de um conto que estou escrevendo, para ajudá-los, tanto na leitura, quanto na distribuição e divulgação desses contos, os coloquei em um arquivo PDF. Assim, caro leitor, fica mais fácil para acompanhar o enredo da história.

Então, aproveite que você está aqui e conseguiu ter paciência de ler o post, e faça o download do Conto... não dói.

Conto: Guerra Sem Fim (4 Capítulos)

Obrigado e volte sempre!

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Resto do Post

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Parte 1, em pdf, do Terra da rainha imortal

Olá, cambada! Seguindo um antigo conselho do Caio Lausi, fiz um pequeno PDF, organizadinho, da primeira parte do meu conto, o Terra da rainha imortal. Estou terminando o capítulo 10, que em breve dará início à segunda parte da história.

 

Vamos lá.

 

Para quem nunca leu:

 

 Pseudo-prefácio, com uma pequena explicação sobre o tema do conto.

 

Terminou de ler o conteúdo do link acima? Baixe o PDF!

 

Parte 1 – Os primeiros impactos, capítulos 1 a 9.

 

Divulgue, e divirta-se!

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segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

A terra da rainha imortal: Capítulo 9 – Palavras que ecoam no infinito

- Como você descobriu, Marcus? – Perguntou Archibald.

 

- Demedhor. – Respondeu Marcus Dresdan.

 

- Você acaba de decretar a sentença de morte do Governador, meu caro – Disse o mascarado.

 

- Ainda não entendi por que eu não morrerei.

 

- Porque você está me ajudando, de uma forma ou de outra. Você tem que cuidar melhor do seu filho, ele acabou de ouvir um pedaço desta conversa.

 

- Ele é ainda é um garoto. Dificilmente lhe fará algum mal.

 

- Nunca se sabe caro Marcus. Saiba que proteger a prole não é algo simples, principalmente se ele vier a ter um espírito livre, e “o coração” é mais relevante que a compaixão pelas crianças neste momento.

 

- Meu filho sobreviveria ao... Evento? – Indagou Marcus.

 

- Ele tem mais chances que você. Os mais velhos provavelmente ficariam doentes e morreriam rapidamente. O multiverso já abraçou este lugar, por incrível que pareça. Vocês humanos são fascinantes.

 

- O que é o multiverso?

 

- É o infinito lugar em que todos os princípios, opostos ou não, se colidem. – Respondeu Archibald.

 

- Não há forma de você me dar uma resposta clara?

 

- Dificilmente. É o mesmo que qualquer habitante deste lugar tentar “explicar” a Rainha. A única diferença é que eu posso explicar a sua existência. – Archibald gargalhou.

 

***

 

A primeira reação do capitão foi ficar de frente para a criatura, em posição de combate, esperando um ataque que achava ser iminente. Além de não querer cometer o mesmo erro que cometera com o comandante Wynl, não sabia quais os recursos que a criatura tinha. Helphelar, enquanto encarava Arthur, puxou rapidamente a espada fincada no nas costas do comandante, e falou:

 

- Não existem profecias.

 

- O quê? – Perguntou Arthur, nervoso e sem entender.

 

- Essa terra não possui nenhuma profecia, meu caro. – Disse Helphelar, ainda em sua forma draconiana, com um sorriso no rosto monstruoso.

 

- Profecias? – Arthur continuava sem entender.

 

- Sem profecias, guerras, com poucas lendas, e uma rainha imortal. Estou deveras curioso. Abaixe a sua arma, amigo. Temos muito a conversar.

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sábado, 5 de dezembro de 2009

Quando a lua dorme

Ao longe se via fogos de artifício, cerca de dois quilômetros à frente. Devia ser uma vila pequena e certamente estava em festa. A lua se exibia por completo, era o primeiro dia de lua cheia. Richard era um viajante, não possuía casa e contava com a boa vontade dos outros para conseguir uma cama para dormir. Ele estava exausto, havia lutado com um urso na noite anterior e até aquele momento não pregara o olho. Com fé que conseguiria comida e água fresca, Richard seguira até a pequena vila.

A vila era realmente pequena e estavam em festa. Todos os meses, na semana de lua cheia, todos comemoravam e agradeciam pela comida e pela saúde. Richard chegara na entrada da vila e caíra, cansado. Alguns metros à frente, uma jovem donzela viu o viajante caído e correra para socorrê-lo.

Noutro dia, em uma cama confortável, com o peito enfaixado e com a cabeça latejando, Richard abre os olhos e vê uma linda mulher, a mais linda de todas as mulheres com que ele já cruzou. Tinha olhos verdes, cabelos dourados e certamente uma pele de seda. Estava usando um vestido verde. Seu nome era Esmeralda.

Apaixonados, corriam pelos campos floridos ao longo das colinas. Richard nunca ficara assim, até cogitava a hipótese de, finalmente, criar raízes na pequena vila. Esmeralda era realmente especial, muito mais do que Richard cogitava.

O último dia de festa era sempre o mais agitado, o auge da comemoração começava no momento em que a lua cheia atingia o ponto mais alto do céu. Todos dançavam em volta da fogueira e atiravam ao fogo pertences de familiares que estavam doentes ou haviam morrido.

As preparações para o último dia começavam logo de manhã. Esmeralda e Richard levantaram cedo e foram colher ervas e flores para serem utilizadas à noite. Ambos sempre se abraçando e beijando, faziam suas tarefas com muito amor. Ao longo da semana nunca havia chegado ao ápice do romantismo, ambos correndo relva adentro, caíram um sobre o outro no topo da colina. Como dois adolescentes, fizeram ali o que desejavam fazer a dias. O som era levado pelo vento. Os moradores escutavam todos os gemidos, todos os movimentos. Todos sabiam o que estava acontecendo, era exatamente assim com todos os viajantes que encontravam a vila.

Esmeralda não era o que aparentava ser. Sua face inocente escondia o pior dos seres. Seus olhos claros escondiam o pior dos desejos. Seus lábios eram fonte de veneno. Veneno esse que atraia e seduzia mais ainda suas vítimas.



Já era tarde de mais para Richard escapar, fora enfeitiçado pela beleza e pelos lábios de Esmeralda. Após o ato de amor, a armadilha fora armada. Richard nunca mais poderia ser um andarilho novamente. Depois do ato consumado e das ervas e flores colidas, Richard e Esmeralda desceram para a vila.

Os morados encaravam Richard com outros olhos. Olhos de fome. Olhos de sede. A vila, os moradores, a própria Esmeralda, todos, não eram inocentes. Todos tinham sede de sangue. Todos tinham fome de carne. Todos eram demônios.

As “festas” que os moradores faziam não eram realmente festas, eram rituais. Todos os meses, no último dia de lua cheia, havia um sacrifício. Todos os meses, na mesma semana, um viajante aparecia na vila, se apaixonava por Esmeralda e morria quando a lua chegava ao ponto mais alto do céu. Richard era esse viajante. Richard era o “escolhido”.

A fogueira estava acesa, os moradores estavam sentados em volta dela, todos com “fome”. As crianças brigavam por um pedaço suculento de Richard. As mulheres gritavam de felicidade. Todos estavam com muita sede.

Richard era trazido pela Esmeralda. Em transe ele não sabia o que iria acontecer. Aos poucos, antes de sua morte, Richard retomava a consciência, mas era tarde.

Esmeralda, líder dos demônios, fora a primeira a arrancar alguma parte do corpo de Richard. Embora todos estivessem com fome, ainda estavam em um ritual e antes de desfrutar do pobre viajante, teriam de oferecer carne e sangue ao “Pai”.

Todos se levantaram e começaram a dançar conforme Richard gritava. Seu sangue escorria até a fogueira e alimentava o “Pai”. A lua chegara finalmente em seu ponto mais alto. Richard teria sua morte. Os mais velhos da vila correram até Richard e, sem dó, arrancaram partes de seu corpo. Por fim, Esmeralda, com um golpe ardente, perfurara o coração do viajante, arrancando-o e saciando sua fome.

Caído no chão, Richard fora saboreado pelo resto da vila. As crianças eram as que mais aproveitavam. Sujas de sangue e com carne nas mãos, todas brincavam ao redor da fogueira. Todos aproveitavam pensando quem seria o próximo. A lua por fim, dormiu.

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